Inconfidência Baiana - Bahia
As ideias iluministas e os recentes movimentos políticos (Revolução Francesa, Americana e Haitiana) influenciaram fortemente a mentalidade da população baiana. Apesar da realidade de Salvador ter sido composta de “extremos” (uma grande população de muitos ricos e outra de muitos pobres), a conjuração foi composta, basicamente, de categorias médias e baixas da sociedade, dentre brancos, mestiços, soldados, comerciantes, artesãos, clérigos e funcionários régios. Os escravos não participaram deste movimento, tampouco suas reivindicações (como a abolição da escravidão) faziam parte da pauta dos revoltosos.

As reivindicações, apesar dos desentendimentos, consistiam na propagação da liberdade econômica, no reconhecimento do papel do indivíduo na sociedade e o fim da discriminação conforme a etnia ou função social e na abertura dos portos. No universo político, buscando o fim do domínio europeu, pregavam um governo republicano “democrático, livre e independente.”

Nos primeiros momentos, a conjuração era composta por pequenos grupos de insatisfeitos e simpatizantes do iluminismo francês, porém, com a publicação de pasquins aumenta a popularização do movimento. O governador Dom Fernando José de Portugal intervém ao tomar conhecimento da situação pressionados pelo Conselho Ultramarino e o ministro Dom Rodrigo de Souza Coutinho (Conde de Linhares), que exigiu maior firmeza. O Governador, apesar de querer minimizar a participação da elite local no movimento (que à esta altura haviam debandado), instaurou uma Devassa para descobrir os autores dos pasquins e seus líderes. Isso levou a prisão de Luís Gonzaga das Virgens.

A insatisfação do Conde de Linhares com a condução do caso levou à pressão para que o governador sentenciasse quatro réus à morte e seis ao degredo.
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Bibliografia

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Fontes impressas

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