Revolução de 1817 - Pernambuco
Em 1808 com a vinda da família real para o Rio de Janeiro, devido a invasão napoleônica, e em 1810 com a abertura dos portos no Brasil, o comércio português sofreu uma séria mudança, alterando toda a sua conjuntura. A liberação do comércio permitiu a multiplicação de relações comerciais entre o Nordeste brasileiro e outras nações.

Por Pernambuco ser a capitania mais lucrativa, foi a mais solicitada no pagamento de impostos. Muitos desses impostos tornaram-se impopulares, como o caso da tributação sobre os produtos comercializados, principalmente os alimentos e para custear os gastos extravagantes da Corte, já situada no Rio de Janeiro. O problema fiscal atingia todas as esferas da vida social, suscitando tensões e problemas desde muito tempo, agravados pelo endividamento dos colonos ao aparelho administrativo português.

Este clima de tensão vinha crescendo paulatinamente até o momento da eclosão da Revolução de 6 de março. Neste dia, ocorreu um levante dos próprios militares envolvidos com a revolução dentro do quartel, resultando na morte de um oficial de alta patente e na captura do governador, que havia se refugiado no Forte do Brum. Na Fortaleza das Cinco Pontas, os militares libertaram os civis acusados de tramarem a morte dos europeus e o próprio Domingos José Martins, um dos líderes do movimento que havia sido preso. Ainda no mesmo dia ocorreu a escolha dos representantes para o Governo Provisório pelos líderes do movimento, todos os integrantes do governo faziam parte do setor dominante: Padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, Domingos José Martins (Representante do comércio), José Luís de Mendonça (Representante dos magistrados), Manuel Correa de Araújo (Representante da agricultura), Domingos Theotônio Jorge Martins Pessoa (Representante dos militares).

A Revolução foi formada por diferentes associações e participação de grupos antagônicos. Não só o setor do comércio tinha os seus interesses econômicos, como outras “identidades de interesses” compuseram a contestação da ordem estabelecida: homens livres, senhores de escravos, comerciantes e padres.

O movimento rebelde, de fato, se concretizou durando um pouco mais de 70 dias, pondo fim à autoridade real em Pernambuco, com a utilização da massa popular, responsável pelo desencadeamento da violência por toda a capitania. Embora a Coroa tenha restabelecido a “ordem” através da forte repressão, o clima de instabilidade se perpetuou e a antiga estrutura colonial nunca mais foi a mesma.

Esse texto e as informações sobre o documento [Precizo dos sucessos que tiveram lugar em Pernambucano] disponíveis no site Impressões Rebeldes são de autoria de Ana Carolina Dionísio Aguiar, Carolina Araújo de Oliveira e Thamiris Altoé Roque, alunas do curso de graduação em História da UFF. Trabalho realizado para a disciplina “Revoltas e Revoluções na Época Moderna: Europa e Brasil Colônia” no 2º semestre de 2015.

LEIA OUTROS ARTIGOS

O MARTÍRIO DE FREI CANECA, PELO OLHAR DE CÍCERO DIAS, Evaldo Cabral de Mello

Painel de artista pernambucano homenageia religioso, retratando os momentos cruciais das revoluções de 1817 e 1824


A REPÚBLICA DE PERNAMBUCO, Flavio José Gomes Cabral

Para além da mera conspiração, a rebelião de 1817 chegou ao poder, e mesmo derrotada repercutiu pela província até 1822


POR BAIXO DA BATINA, Fabiano Vilaça

Testamento revela traços da vida do padre e senador cearense que se opôs à política de D. João VI e D. Pedro I e se tornou um respeitado político no Império








CONFLITOS DA REVOLUÇÃO PERNAMBUCANA DE 1817

Acesse esse infográfico interativo no link: http://atlas.fgv.br/marcos/de-colonia-reino-unido/mapas/revolucao-de-1817-pernambuco-insurgente

Insurreicaopernambucana.png

Revolução de 1817 - Pernambuco

Outras designações

Revolução Pernambucana de 1817; Insurreição Pernambucana de 1817;

Vídeo

Bibliografia

CABRAL, Flávio José Gomes. A Divulgação da Revolução de 1817 entre os Pernambucanos e na imprensa norte-americana. XXVIII SIMPÓSIO NACIONAL DE HISTÓRIA. Lugares dos Historiadores: Velhos e Novos Desafios. 27 a 31 de julho de 2015. Florianópolis – SC.

CAHU, Major Silvio de Mello. A Revolução Nativista Pernambucana de 1817. Rio de Janeiro, Biblioteca do Exército, Editora, 1951.

LEITE, Glacyra Lazzari. Pernambuco 1817. Recife: Fundaj/ Ed. Masssangana, 1989.

MELO, Mário. O Governo Eclesiástico na Revolução de 1817. In: Revista do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Recife, v.XLII,1948/1949.p.90-95.

MOTA, Carlos Guilherme. Nordeste 1817: estruturas e argumentos. São Paulo: Perspectiva, 1972.

OITICICA, Luís da Rasa. Aspectos da Revolução de 1817. Recife, Nordeste, 1953.

QUINTAS, Amaro. A Agitação Republicana no Nordeste. In: HOLANDA, S. Buarque de. (Ed.) -História Geral da Civilização Brasileira.2° Edição. São Paulo, Difel, 1965, t.2, v.3, p.207-237.

TAVARES, Muniz. História da Revolução de Pernambuco de 1817. 4° Ed. Recife, Casa Civil de Pernambuco, 1969. Mota de Oliveira Lima.