Cunhagens da Idade do Ferro
Moedas são objetos viajantes. Ao circularem de mão em mão, elas conectam pessoas, objetos e lugares, disseminando e reforçando ideias e inovações. Para as comunidades da Idade do Ferro, identificadas pelos autores antigos como “celtas”, elas são os primeiros objetos produzidos em massa.
As cunhagens célticas são tidas como produtos das migrações, dos contatos e das transformações sociais a partir de fins do século IV AEC. Sua adoção é atribuída à atuação de mercenários celtas em exércitos no Mediterrâneo, à exemplo daqueles que atuaram entre os Macedônios e daqueles do Norte da Gália que atuaram nos exércitos de Siracusa e Tarento e recebiam o pagamento de seu soldo em cunhagens dessas regiões. E levaram essas moedas para suas comunidades. Parte delas foi entesourada e parte talvez utilizada para confeccionar outros artefatos em metal. E depois à criação das cunhagens célticas locais.
Acredita-se que o seu surgimento esteja ligadoao fim dessa atividade como mercenários, que levaria ao fim do suprimento de cunhagens mediterrânicas. Mas da mesma forma que não havia uma sociedade celta homogênea e centralizada, a produção dessas moedas também não era centralizada e não se deu de forma síncrona em todas as regiões. São todos desenvolvimentos locais e, por isso, atendem a questões internas a essas comunidades.
Na verdade, é muito difícil determinar os locais de emissão das cunhagens celtas, as autoridades que as emitiram e os artesãos que as confeccionaram. Mesmo assim, por sua grande diversidade, as moedas célticas são importantes documentos que nos ajudam a compreender a vida nessas comunidades da Idade do Ferro.
Credits
Adriene Baron Tacla