Um outro olhar?
Os artefatos da Idade do Ferro na Europa Centro-Ocidental deixam evidente a existência de um repertório compartilhado de uma cultura de contato, produto das interações e trocas de longa distância. A esse repertório chamamos Arte Celta.
Tradicionalmente, ela era vista como oriunda dos contatos com o Mediterrâneo e surgindo apenas a partir de meados do século V AEC. Se os contatos e as transformações socioculturais que eles geram são cruciais para entendermos a arte celta, sabemos hoje que ela é resultado de toda vivência da Idade do Ferro, desde o seu início.
Já no trabalho de Jacobthal (em 1941, p.310) que deu origem ao campo, ele nos chamava a atenção que a percepção e a visualidade desses artefatos é diferente:
“... para os gregos uma espiral é uma espiral e um rosto é um rosto, e é sempre claro onde um termina e o outro começa, enquanto os celtas ‘veem’ rostos ‘dentro’ das espirais ou gavinhas: a ambiguidade é característica da arte celta.”
Esse olhar diferenciado fez uso de efeitos que são parte de um conhecimento técnico altamente especializado. Seus artesãos - bronzeiros, ferreiros e ourives, aplicaram formas abertas com apliques e efeitos de luz, cor e textura que permitem que a imagem se transforme ante o observador conforme a posição do objeto, da incidência de luz e o seu olhar.
Mas de início, esses efeitos eram reservados aos objetos de prestígio das elites das comunidades da Idade do Ferro.
Faces e olhos ganham destaque nessas peças como as que vemos abaixo.