Revoltas

Inconfidência Baiana

Capitania da Bahia de Todos os Santos (1534 – 1821)Salvador

Início / fim

12 de agosto de 1798 / 12 de agosto de 1798

Data aproximada
"Igreja do Hospício de Nossa Senhora da Piedade da Bahia", litogravura do artista alemão Johann Moritz Rugendas (1802–1858) - Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo, São Paulo

As ideias iluministas e os recentes movimentos políticos (Revolução Francesa, Americana e Haitiana) influenciaram fortemente a mentalidade da população baiana. Apesar da realidade de Salvador ter sido composta de “extremos” (uma grande população de muitos ricos e outra de muitos pobres), a conjuração foi composta, basicamente, de categorias médias e baixas da sociedade, dentre brancos, mestiços, soldados, comerciantes, artesãos, clérigos e funcionários régios. Os escravos não participaram deste movimento, tampouco suas reivindicações – como a abolição da escravidão – faziam parte da pauta dos revoltosos.

As reivindicações, apesar dos desentendimentos, consistiam na propagação da liberdade econômica, no reconhecimento do papel do indivíduo na sociedade e o fim da discriminação conforme a etnia ou função social e na abertura dos portos. No universo político, buscando o fim do domínio europeu, pregavam um governo republicano “democrático, livre e independente.”

Nos primeiros momentos, a conjuração era composta por pequenos grupos de insatisfeitos e simpatizantes do iluminismo francês, porém, com a publicação de pasquins aumenta a popularização do movimento. O governador Dom Fernando José de Portugal intervém ao tomar conhecimento da situação pressionados pelo Conselho Ultramarino e o ministro Dom Rodrigo de Souza Coutinho (Conde de Linhares), que exigiu maior firmeza. O Governador, apesar de querer minimizar a participação da elite local no movimento (que à esta altura haviam debandado), instaurou uma Devassa para descobrir os autores dos pasquins e seus líderes. Isso levou a prisão de Luís Gonzaga das Virgens.

A insatisfação do Conde de Linhares com a condução do caso levou à pressão para que o governador sentenciasse quatro réus à morte e seis ao degredo.

Números da Revolta

676 participantes, 4 executados.

Outras designações

Conjuração Baiana

Revolução dos Alfaiates

Revolta dos Búzios

Sedição dos Mulatos

Grupos sociais

Lideranças

Réus e Condenados

Ações de protesto não-violentas

  • Pasquins

Repressão

Contenção

  • Prisões

Punição

  • Enforcamento
  • Esquartejamento
  • Execução
  • Exposição dos quartos e da cabeça
  • Forca ou polé
  • Mãos decepadas

Bibliografia Básica

VALIM, Patrícia. Da contestação à conversão: a punição exemplar dos réus da Conjuração Baiana de 1798. In: Topoi, v. 10, n. 18, jan.-jun. 2009, p. 14-23.

VALIM, Patrícia. Da sedição dos mulatos à Conjuração Baiana de 1798: a construção de uma memória histórica. Dissertação (mestrado em História), Universidade de São Paulo, 2007.

RUY, Affonso. A primeira revolução social brasileira: 1798. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1942, p. 81-221.

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