Em 1808 com a vinda da família real para o Rio de Janeiro, devido a invasão napoleônica, e em 1810 com a abertura dos portos no Brasil, o comércio português sofreu uma séria mudança, alterando toda a sua conjuntura. A liberação do comércio permitiu a multiplicação de relações comerciais entre o Nordeste brasileiro e outras nações.
Por Pernambuco ser a capitania mais lucrativa, foi a mais solicitada no pagamento de impostos. Muitos desses impostos tornaram-se impopulares, como o caso da tributação sobre os produtos comercializados, principalmente os alimentos e para custear os gastos extravagantes da Corte, já situada no Rio de Janeiro. O problema fiscal atingia todas as esferas da vida social, suscitando tensões e problemas desde muito tempo, agravados pelo endividamento dos colonos ao aparelho administrativo português.
Este clima de tensão vinha crescendo paulatinamente até o momento da eclosão da Revolução de 6 de março. Neste dia, ocorreu um levante dos próprios militares envolvidos com a revolução dentro do quartel, resultando na morte de um oficial de alta patente e na captura do governador, que havia se refugiado no Forte do Brum. Na Fortaleza das Cinco Pontas, os militares libertaram os civis acusados de tramarem a morte dos europeus e o próprio Domingos José Martins, um dos líderes do movimento que havia sido preso. Ainda no mesmo dia ocorreu a escolha dos representantes para o Governo Provisório pelos líderes do movimento, todos os integrantes do governo faziam parte do setor dominante: Padre João Ribeiro Pessoa de Melo Montenegro, Domingos José Martins (Representante do comércio), José Luís de Mendonça (Representante dos magistrados), Manuel Correa de Araújo (Representante da agricultura), Domingos Theotônio Jorge Martins Pessoa (Representante dos militares).
A Revolução foi formada por diferentes associações e participação de grupos antagônicos. Não só o setor do comércio tinha os seus interesses econômicos, como outras “identidades de interesses” compuseram a contestação da ordem estabelecida: homens livres, senhores de escravos, comerciantes e padres.
O movimento rebelde, de fato, se concretizou durando um pouco mais de 70 dias, pondo fim à autoridade real em Pernambuco, com a utilização da massa popular, responsável pelo desencadeamento da violência por toda a capitania. Embora a Coroa tenha restabelecido a “ordem” através da forte repressão, o clima de instabilidade se perpetuou e a antiga estrutura colonial nunca mais foi a mesma.
Esse texto e as informações sobre o documento [Precizo dos sucessos que tiveram lugar em Pernambucano] disponíveis no site Impressões Rebeldes são de autoria de Ana Carolina Dionísio Aguiar, Carolina Araújo de Oliveira e Thamiris Altoé Roque, alunas do curso de graduação em História da UFF. Trabalho realizado para a disciplina “Revoltas e Revoluções na Época Moderna: Europa e Brasil Colônia” no 2º semestre de 2015.
Antecedentes
Um dos primeiros episódios em que se pode verificar a influência dos ideais iluministas ocorreu em 1801, quando Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, proprietário do Engenho Suassuna, foi acusado, juntamente com seus irmãos, de conspirar para tornar Pernambuco independente. Eles eram membros do Areópago de Itambé e tinham planos até de conseguir o apoio de Napoleão, graças às suas conexões com a maçonaria francesa. Nada foi apurado de concreto e todos foram libertados por falta de provas. Todas essas personagens mais tarde atuariam também na Revolução de 1817.