COSTA, João Paulo Peixoto. Na lei e na guerra: políticas indígenas e indigenistas no Ceará (1798-1845). Tese (doutorado). Universidade Estadual de Campinas, 2016.
setembro de 1822 / setembro de 1822
Data aproximadaCom a iminência da Independência do Brasil, levantes se espalharam pelo país ao longo do início da década de 1820. No Ceará, um grupo de mais de 600 indígenas invadiu as fazendas de autoridades coloniais, dando gritos contra os europeus e a favor da liberdade dos escravos.
Tudo ocorreu em Maranguape, povoado pertencente à vila de indígenas de Arronches, a cerca de 30km de Fortaleza. As tensões tiveram início em 6 de outubro de 1821, quando chegou ao governador da capitania Francisco Alberto Rubim, um boato afirmando que o objetivo da Constituição Portuguesa era aprisionar os índios. O rumor acirrou as tensões entre indígenas e não-indígenas, eclodindo em um conflito aberto em setembro do ano seguinte.
Os alvos do tumulto, o diretor geral e sargento-mor José Agostinho Pinheiro e o juiz de fora Joaquim Lopes de Abreu, eram diretamente ligados aos indígenas. Eles tiveram suas propriedades invadidas, suas vidas ameaçadas e seus pertences roubados, porque além de terem sido os protagonistas da ocupação das serras de Maranguape entre os séculos XVIII e XIX, os dois também eram portugueses, o que reforçava o antilusitanismo das reivindicações nativas.
Os indígenas tinham diversas razões para se rebelar, como resistir à tomada de suas terras, pedir o retorno ao Brasil do rei D. João VI, que havia sido transferido para a Europa por exigência do movimento liberal do Porto, e temer uma nova escravidão. Para conter o levante, o governo solicitou que moradores das localidades próximas a Maranguape fossem armados a combater os insurgentes, e em menos de cinco dias, diversos revoltosos já haviam sido capturados e presos.
Apesar de suas reivindicações serem justas, a condição dos indígenas obteve alteração apenas em fevereiro de 1823, com a consolidação da Independência. O novo governo os libertou e os enalteceu enquanto brasileiros mártires da pátria, pelo mesmo motivo que justificou a prisão anterior: a oposição aos portugueses. Por esse apoio, os indígenas dessa serra – e, consequentemente, de outras vilas e povoações do Ceará – instrumentalizaram o liberalismo e passaram a ver a Independência do Brasil como um movimento em prol de sua liberdade.
Conheça mais sobre essa revolta e seu contexto no artigo da Revista Impressões Rebeldes “Arcos Flechas e Liberdade”.
Feita por militares e com apoio da elite portuguesa, a Revolução liberal do Porto em 1820, ocorreu no momento de instabilidades políticas e econômicas que Portugal enfrentava desde a vinda da Corte para o Brasil em 1808. As tensões causadas pela Revolução do Porto, a difusão dos ideais liberais e constitucionais, a Revolução Pernambucana de 1817 e seu desmonte, inflamaram ainda mais o cenário político-social do Brasil
As cortes portuguesas haviam ordenado o retorno da família real, por isso, o rei D. João VI retornou a Lisboa, mas Dom Pedro I, o príncipe regente, permaneceu no Brasil. Mas, os ideais liberais e constitucionalistas propagados pela Revolução em Portugal haviam chegado à colônia e causado reações diversas na população. Com transformações no cenário político, econômico e social acontecendo no Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, com Ceará não foi diferente, indígenas permeados por essas circunstâncias atacam portugueses na Vila de Arronches
5 dias de duração
600 participantes
COSTA, João Paulo Peixoto. Na lei e na guerra: políticas indígenas e indigenistas no Ceará (1798-1845). Tese (doutorado). Universidade Estadual de Campinas, 2016.
Sem Nome, "Revolta na aldeia de Maranguape". Impressões Rebeldes. Disponível em: https://www.historia.uff.br/impressoesrebeldes/revolta/revolta-na-aldeia-de-maranguape/. Publicado em: 26 de abril de 2023.