Revoltas

Revolta dos Periquitos

Capitania da Bahia de Todos os Santos (1534 – 1821)Salvador

Início / fim

21 de outubro de 1824 / dezembro de 1824

Um dos principais marcos da revolta, o assassinato pelas mãos dos amotinados do Governador das armas Coronel Felisberto Gomes Caldeira é o tema da imagem acima, retirada do livro "Da sedição de 1798 à revolta de 1824 na Bahia", de Luís Henrique Dias Tavares

Após as lutas pela independência travadas na Bahia em 1823, foi preciso lidar com a situação dos negros que haviam participado da guerra e formado batalhões, pois muitos ainda não estavam na condição de libertos. Após negociações entre o governo central e os proprietários de escravos, muitos negros emancipados resolveram se manter na posição que ocupavam nestes batalhões, como era o caso de grande parte dos membros do Terceiro Batalhão de Caçadores do Exército, ou Batalhão dos Periquitos, como foram chamados devido à cor verde da farda.

Localizado em Salvador, o grupo fazia as elites temerem uma revolta, pois além das questões raciais havia também a desconfiança de que alguns membros eram republicanos e defensores da Confederação do Equador. O movimento de caráter emancipacionista e antimonárquico que juntava Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte havia sendo massacrado pelas forças imperiais no ano de 1824, e teve queda definitiva após a tomada de Recife iniciada em 12 de setembro.

A desconfiança das elites se concretizou em 21 de outubro de 1824, quando os Periquitos receberam a notícia de que seriam movidos para Pernambuco. Como se isso não bastasse, o Major José Antônio da Silva Castro, popular entre eles, teria que servir no Rio de Janeiro.

Os Periquitos foram responsáveis por mais de um mês de conflitos, de 21 de outubro até o início de dezembro. Tomaram a cidade de Salvador com violência e foram apoiados por outros batalhões de negros, assassinando o Governador das Armas coronel Felisberto Gomes Caldeira. Os alvos dos ataques eram os portugueses, os defensores da monarquia e até os comerciantes, afinal parte da população pobre se juntou ao grupo militar para saquear diversos estabelecimentos. É importante lembrar que Salvador, após os movimentos de independência, passa por uma grande crise econômica que se reflete na miséria e no desemprego, e este é o motivo desta revolta ser mais complexa do que as divergências políticas: pesava também a questão social.

Os grandes proprietários baianos se juntam com os portugueses para financiar a retomada da cidade de Salvador e após conflitos entre tropas e negociações entre os dois lados, os revoltados se rendem. O Batalhão é enviado a Pernambuco, livrando a elite baiana do perigo de outra revolta. Mas nem todos os membros têm a oportunidade de simplesmente servir em outra província: alguns são expulsos do Batalhão e dois líderes da revolta, o major Joaquim Sátiro da Cunha e o tenente do Quarto Batalhão (também conhecido como Batalhão dos Pitangas, com negros entre seus membros) Gaspar Lopes Vilas Boas são mortos após julgados por um conselho militar especial. Os processos que levaram aos assassinatos não foram escritos, se limitando a condenações verbais.

A vitória na repressão da Revolta dos Periquitos, acompanhada do enfraquecimento da Confederação do Equador, ajudou a consolidar o poder monárquico do Brasil imperial no ano de 1824.

É importante lembrar que o complexo processo de emancipação brasileiro passou por diversas batalhas regionais, que envolveram disputas sociais, militares e políticas que não se restringiram à Corte do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Tampouco se encerraram com o “grito do Ipiranga” em setembro de 1822.

Disputas importantes ocorreram em províncias mais afastadas, como a formação do popular Exército Libertador, o cerco às tropas portuguesas na Bahia em 1823 e, no mesmo ano, a batalha às margens do rio Jenipapo no Piauí, que juntou as forças locais às cearenses e maranhenses. No entanto, é apenas em 1825 e depois de muitas colisões entre os dois lados que Portugal finalmente reconhece a derrota por meio do Tratado de Paz, Amizade e Aliança.

Números da Revolta

Cerca de 1 mês de duração.

Grupos sociais

Autoridades

Lideranças

Réus e Condenados

Ações de protesto não-violentas

  • Convocação Forçada de militares
  • Desobediência
  • Roubo de comida

Ações de protesto violentas

  • Agressão de Autoridade
  • Batalhas e combates
  • Conflitos de rua
  • Convocação forçada de moradores
  • Morte de inimigos
  • Saques a casas e armazéns

Repressão

Contenção

  • Expedição armada ou repressão militar
  • Negociações e acordos de paz

Punição

  • Execução

Bibliografia Básica

REIS, Arthur Ferreira. OS CORCUNDAS E OS PERIQUITOS: a visão áulica sobre a Revolta dos Periquitos na Bahia. Anais do VI Congresso Internacional Ufes/Paris-Est: Culturas Políticas e Conflitos Sociais, Espírito Santo, p. 124-133, set. 2017.

TAVARES, Luis Henrique Dias. Da Sedição de 1798 à Revolta de 1824 na Bahia. São Paulo: Unesp, 2003.

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