Revoltas

Revolta dos escravizados indígenas na propriedade de Bartolomeu Nunes do Passo

Capitania Real do Rio de Janeiro (1567 – 1821)Vila de Mogi das Cruzes

Início / fim

maio de 1660 / maio de 1660

Data aproximada

Na Vila de Mogi das Cruzes, mais especificamente na propriedade de Bartolomeu Nunes do Passo eclodiu, em maio de 1660, uma rebelião de cativos indígenas. O levante culminou no assassinato do proprietário do imóvel, fugas de seus cativos e em saques e destruição de diversos bens do local.

O levante foi feito em 1660 por indígenas da tribo Guarani, escravizados na propriedade de Bartolomeu Nunes, na Vila de Mogi das Cruzes. Os responsáveis do levante, conforme o relato de Maria Diniz de Mendonça, esposa de Bartolomeu Nunes, foram dez indígenas escravizados de nomes: Gaspar, Alonso, Francisco, Garcia, Andreza, Paulino, Luzia, Leonor, Cipriana e outra indigena de nome Leonor. Do total de 28 indígenas que o casal possuía, alguns haviam sido herdados 9 anos antes pela Maria Diniz de Mendonça do seu primeiro casamento, com Antônio Pedroso de Lima. Fica evidente que, pelos nomes, todos os indígenas eram batizados, inclusive havia casais entre os revoltosos, demonstrando que eram antigos na propriedade e já estavam inseridos nos costumes dos paulistas.

Durante a revolta no interior da propriedade, os guaranis assassinaram Bartolomeu Nunes, destruíram alguns bens da propriedade e a saquearam. Por algum motivo não esclarecido, a viúva Maria Diniz de Mendonça teve sua vida poupada, servindo como principal testemunha do ocorrido. Após o saque, restaram na propriedade apenas: roupas, uma pistola, uma corrente e 2 cavalos, bens que escaparam por estarem na casa. A motivação específica do levante é incerta, porém, supõe-se que foi em decorrência de alguma discordância interna no funcionamento das relações de trabalho e de dominação. Isso mostra que, apesar de inseridos a muito tempo na região e de estarem envoltos nos costumes paulistas, não agiam passivamente perante as situações que lhes eram impostas, pelo contrário, reagiam de acordo com as demandas que mais lhes agradassem.

Na propriedade não havia apenas índios da tribo Guarani, também havia grupos Guayaná, cerca de quatro, ambos os grupos fugiram do local. Enquanto os primeiros escaparam para casa de moradores na Vila de Mogi das Cruzes, imóveis localizados na vizinhança do local onde cometeram os crimes, os últimos fugiram para as matas. Em novembro do mesmo ano, os moradores da Vila de Mogi das Cruzes e de Vilas vizinhas compareceram à Câmara de São Paulo para impedir que o então Governador e Capitão-geral da Repartição Sul, Salvador Correia de Sá e Benevides (1659-1660), comparecesse à Vila de São Paulo. O motivo de tal ação foi que o acusavam de, por meio de promessas de liberdade, incitar esse e outros levantes indígenas na região.

A região em que ocorreu esse motim, embora distante geograficamente do centro da capitania do Rio de Janeiro, estava sob sua jurisdição, e assim permaneceu até o ano de 1709, segundo consta a Carta Régia de 23 de novembro do mesmo ano, que criou a capitania de São Paulo e Minas do Ouro.

(Leandro Machado, graduando no curso de História da UFF e pesquisador do projeto “Um Rio de Revoltas” – FAPERJ -CNE/2018-2021)

Antecedentes

Escravização indígena nos sertões paulistas

 

Conjuntura e contexto

Exploração da mão de obra indígena

 

Grupos sociais

Lideranças

Ações de protesto não-violentas

  • Fuga de escravizados
  • Roubo de comida

Ações de protesto violentas

  • Destruição de propriedade
  • Morte de inimigos

Bibliografia Básica

MONTEIRO, John Manuel. Negros da terra: indíos e bandeirantes nas origens de São Paulo . São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

VILARDAGA, José Carlos. Terras, ouro e cativeiro: a ocupação do aldeamento dos Guarulhos nos séculos XVI e XVII. R. Museu Arq. Etn., 2016, 26: p. 42-61.

VELLOSO, Gustavo. Ociosos e sedicionários: populações indígenas e os tempos do trabalho nos Campos de Piratininga (século XVII). Dissertação de Mestrado. São Paulo: USP, Departamento de História, 2016, 255f.

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