Revoltas

Revolta de Camamu

Capitania de Ilhéus (1534 – 1761)Camamu

Início / fim

1691 / 1692

A região de Camamu do século XVII ilustra bem a realidade colonial em que fugas de escravos, expansão de quilombos, “entradas” para o sertão e políticas dos senhores e da administração régia para coibir as revoltas e motins estavam presentes.

Situada no sul da Bahia, com uma geografia que por um lado dificultava o suporte vindo da capital Salvador e a defesa contra nativos hostis e, por outro, facilitava as fugas de escravos e índios das fazendas, o território vivenciou uma insurreição escrava de grandes proporções entre 1691 e 1692.

Iniciada por “cinco mulatos fugidos” eles foram agregando mais e mais adeptos, causando a morte de homens brancos, invadindo casas, roubando armas e bens, destruindo roças e produtos e sequestrando mulheres e crianças. O “pandemônio” era tanto que “não havia escravo que obedecesse ao seu senhor, ou morador que se atrevesse a ir às suas lavouras”. Para aumentar o caos social os rebeldes se fortificaram e montaram base em um monte próximo, fundando ali a chamada “Vila de Santo Antônio”, quilombo que possuía até governador próprio e tropas.

O governador da Bahia, Câmara Coutinho, sabendo do ocorrido através do Capitão-mor Bento Ribeiro de Lemos, se recusa a enviar tropas de Salvador para Camamu. Porém, enviou pólvora, armamentos e ordens para que o Capitão-mor mobilizasse novos homens e vilas vizinhas, estando este sob o comando do “Capitão-das-entradas” Antonio Ferraz de Azevedo. A expedição de 100 homens (entre brancos, mulatos e índios) marchou em direção ao quilombo, sendo recebidos ao som de tambores de guerra e gritos de “Morte aos Brancos, viva a Liberdade!”. A expedição acabou com quatro mortos e o capitão Gonçalo da Afonseca ferido. O grupo rebelde foi derrotado, seus quatro líderes mortos, dos quais três foram sentenciados à morte e suas cabeças expostas pelo Tribunal da Relação. Houve ainda 80 presos e 25 feridos, sendo estes devolvidos aos antigos donos ou vendidos.

Números da Revolta

Aproximadamente Cerca de 1 ano de duração, 83 condenados, 3 executados.

Grupos sociais

Autoridades

Ações de protesto não-violentas

  • Desobediência
  • Formação de comunidade independente
  • Fuga de escravizados
  • Roubo de armas e munição

Ações de protesto violentas

  • Expulsão de adversários
  • Invasão de propriedade
  • Mobilização de escravos armados
  • Saques a casas e armazéns

Repressão

Contenção

  • Capitães do mato
  • Expedição armada ou repressão militar
  • Prisões

Punição

  • Açoite e castigos público
  • Escravização e reescravização
  • Execução
  • Exposição apenas da cabeça

Instâncias Administrativas

  • Tribunal da Relação BA

Bibliografia Básica

SANTOS, Lara de Melo dos. Resistência indígena e escrava em Camamu no século XVII. Dissertação de Mestrado. Salvador: UFBA, Programa de Pós-Graduação em História, 2004.

Fontes impressas

Consulta do Conselho Ultramarino sobre as sentenças que se deram no Tribunal da Relação do Brasil aos negros levantados na vila do Camamu e sobre os paulistas em Porto seguro

Carta Régia – agradece ao governador do Brasil, ao Desembargador Dionísio de Ávila o zelo com que suplantaram o levantamento dos negros de Camamu…

Carta do Governador para o monteiro-mor sobre diversos particulares

Carta para Sua Majestade sobre o levantamento dos negros no Camamu, e paulistas em Porto Seguro

Carta para André Lopes de Lavre sobre a impossibilidade com que fica a terra e a prisão dos negros levantados, e paulistas

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