Revoltas

Quilombo de Magé

Capitania Real do Rio de Janeiro (1567 – 1821)Magé

Início / fim

1750 / 1808

Data aproximada
Cultivo de café em uma propriedade entre a cidade de Magé e as montanhas da Serra dos Órgãos. Gravura de Carl Friedrich Philipp von Martius, 1855. Acervo de Iconografia / Instituto Moreira Salles

No início do século XIX, escravizados fugitivos das fazendas próximas à Vila de Magé, atual cidade de Magé, organizaram um quilombo nas matas da região. O Quilombo se tornou uma ameaça aos moradores e às autoridades locais pelos recorrentes assaltos feitos às propriedades da região. No mês de junho de 1808 as informações sobre fugas e formação de quilombos foram disseminadas pela Corte. No entanto, não é de conhecimento o sucesso dos movimentos de repressão. 

A resistência escrava foi uma resposta constante a escravidão. Houve muitas formas de resistir no Brasil, mas as fugas e a formação de comunidades eram as que mais ameaçavam as autoridades locais. Os quilombolas, por via de regra, possuíam roças, mantinham relações com os comerciantes locais e cometiam crimes, como saques em propriedades e assassinatos. 

No ano de 1808, foram expedidas ordens para pôr fim aos quilombos de várias regiões da Capitania do Rio de Janeiro e a região da Vila de Magé, atual município da baixada fluminense, foi uma delas. O quilombo formado naquela região ameaçava os moradores da vila que exigiam uma ação imediata das autoridades. 

A repressão podia envolver tanto a população local e capitães do mato com expedições próprias, como a solicitação de soldados. Alguns casos eram usados nativos por conhecerem as florestas da região. Os invasores ao obterem sucesso sobre os rebeldes queimavam suas roças, casas e capturavam os rebeldes, o costume era devolvê-los aos respectivos donos. 

Não existem muitos documentos sobre o Quilombo de Magé até o momento, assim não se conhece em detalhes o processo de formação do quilombo, tampouco a repressão ocorrida após o resultado da expedição em 1808. 

Os quilombos eram respostas às severas condições impostas aos escravizados. As incursões de tropas e de capitães-do-mato poderiam pôr fim a algumas comunidades, mas, enquanto o sistema escravocrata os explorasse, a resposta viria cada vez mais violenta. 

(Richard Enbel, graduando no curso de História da UFF e pesquisador do projeto “Um Rio de Revoltas” – FAPERJ -CNE/2018-2021)

(Giovanna Wermelinger, graduanda no curso de História da UFF e pesquisador do projeto “Um Rio de Revoltas” – FAPERJ -CNE/2018-2021)

Ações de protesto não-violentas

  • Desobediência
  • Formação de comunidade independente
  • Fuga de escravizados
  • Roubo de comida
  • Roubo de pessoas

Ações de protesto violentas

  • Ataques Noturnos
  • Saques a casas e armazéns
  • Sequestro de bens

Repressão

Contenção

  • Capitães do mato
  • Expedição armada ou repressão militar

Punição

  • Não informadas

Bibliografia Básica

GOMES, Flávio dos Santos. A hidra e os pântanos: quilombos e mocambos no Brasil (sécs – XVII – XIX). Tese (Doutorado em História) – Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 1997.

GOMES, Flávio dos Santos. “Uma tradição rebelde: notas sobre os quilombos na capitania do Rio de Janeiro (1625-1818)”. Revista Afro Ásia, Salvador, v. 17, 1996.

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