Revoltas

Motim de soldados dos Terços de Olinda e Recife

Capitania de Pernambuco (1534 – 1821)Olinda

Início / fim

1726 / 1726

Data aproximada
Plano da Ilha António Vaz, do Recife e da parte continental junto ao porto de Pernambuco no Brasil, com todas as fortificações, redutos e outras construções lá edificadas. Feito por Wilhelm Hondius (1640) - Imagem disponível em: https://www.ufmg.br/rededemuseus/crch/simposio/_BUVE_RAYMOND.pdf

“Mal, tarde ou nunca”. Esta era a expressão utilizada para caracterizar o pagamento dos soldos aos membros das tropas pagas no século XVIII. Mas é claro que os soldados, apesar de pertencentes a camadas baixas da sociedade, não ficariam sossegados para sempre. A revolta de 1726 em Pernambuco é um exemplo.

Após muito tempo aguentando atrasos no pagamento dos soldos, o estopim chegou quando, de 1725 para 1726, os militares ficaram um ano e meio sem recebê-los. Agitados, mas não revoltados, os soldados dos terços de Olinda e em Recife largaram seus postos e, juntos, marcharam pacificamente e formaram um acampamento.

A resposta do governador de Pernambuco D. Manoel Rolim de Moura foi convocar uma junta, que decidiu por unanimidade pagar os soldados por meio de um empréstimo. A situação, no entanto, não se resolveu: o governador geral do Brasil, Vasco César de Menezes, se incomodou com a atitude das tropas e, apesar de ter reconhecido seus motivos, opinou a favor de uma punição. Coube ao Conselho Ultramarino deliberar sobre o caso, assumindo postura ambígua, insinuando ao mesmo tempo que o rei deveria mostrar “seu real desagrado” e que os amotinados mereciam perdão.

Em meio à divergência de opiniões por parte das autoridades, no ano de 1726 e sob o comando do governador D. Manoel Rolim de Moura, aqueles que haviam se revoltado não receberam punição alguma. Porém não podiam, ainda, estar tranquilos: no ano seguinte, com a troca de governadores e a entrada de Duarte Sodré Pereira, se iniciou a punição ou vingança direcionada aos líderes da revolta e alguns deles foram degredados.

Apesar de não ter passado impune pelas autoridades, a revolta de 1726 deixou seu marco na história da capitania de Pernambuco por ter sido a primeira a ser protagonizada por um grupo de pessoas pobres livres, contrariando a tendência de motins liderados por membros da elite local.

Grupos sociais

Autoridades

Repressão

Instâncias Administrativas

  • Conselho Ultramarino
  • Governador da Capitania
  • Governador Geral

Bibliografia Básica

LISBOA. Breno Almeida Vaz. Uma elite em crise: a açucarocracia de Pernambuco e a câmara Municipal de Olinda nas primeiras décadas do século XVIII. Recife: UFPE, 2011. Dissertação de Mestrado.

    Imprimir página

Compartilhe