Revoltas

Falso atentado contra o prelado

Capitania Real do Rio de Janeiro (1567 – 1821)Rio de Janeiro

Início / fim

05 de março de 1668 / 05 de março de 1668

O suposto atentado contra Manuel de Sousa Almada ocorreu em sua casa, que ficava ao lado da atual Igreja de São José, localizada no centro do Rio de Janeiro

O administrador da prelazia do Rio de Janeiro, Dr. Manuel de Sousa Almada, sofreu um “atentado” na noite de 5 de março de 1668. Aparentemente seus opositores teriam disparado um tiro de peça de artilharia contra sua residência e, por sorte, o prelado conseguiu fugir pelos fundos, saindo ileso. Após uma investigação do caso, requerida pelo próprio Almada, descobriu-se que foi ele mesmo quem armou e planejou o incidente. O administrador eclesiástico teria feito isso para incriminar as pessoas com as quais possuía desavenças e para melhorar um pouco sua imagem com a população. Constrangido, Almada renunciou ao cargo de prelado.

Dr. Manuel de Sousa Almada foi nomeado prelado do Rio de Janeiro em 12 de dezembro de 1658. Sua administração (1658-1668), assim como a dos seus antecessores, foi repleta de conflitos com a população. Logo em 1659, o administrador eclesiástico teve atritos com a Câmara Municipal. Ele queria que a Igreja de São Sebastião fosse transferida para a Ermida de São José, uma vez que a população passara a se concentrar na parte baixa da cidade, e não mais no Morro do Castelo, onde estava localizada a Matriz. A Câmara protestou, em carta de 3 de agosto, contra tal atitude, alegando que esta decisão ultrapassava as competências do prelado e que a mudança não poderia ser feita sem a autorização da Coroa. Em resposta completamente arbitrária, Almada decidiu excomungar os Oficiais da Câmara que haviam protestado. No entanto, o Governador Tomé Correia de Alvarenga (1657-1659) interviu e reverteu a decisão do administrador eclesiástico.

Em outra oportunidade, ainda em 1659, Almada se envolveu em um conflito com o Ouvidor-Geral Pedro de Mustre. Este havia iniciado uma devassa que envolvia dois familiares do prelado. Diante disso, Almada exigiu que lhes fossem entregues os autos do processo. O ouvidor-Geral não acatou a demanda, alegando que estaria fora da jurisdição do administrador e acabou sendo excomungado. Após uma deliberação da Câmara com teólogos, a excomunhão foi invalidada. Esses episódios de arbitrariedade e excessos provocaram agitação entre os moradores, que mais uma vez, reagiram contra o prelado.

Após alguns anos no comando da prelazia, na noite do dia 5 de março de 1668, supostos inimigos de Almada levaram uma peça de artilharia carregada até sua casa, ao lado da Ermida de São José (atual Igreja de São José, no centro da cidade). Eles desferiram um tiro contra a residência, mas o prelado conseguiu escapar pelos fundos, fugindo apenas em “trajes menores”. Em face de tamanha violência, o administrador eclesiástico demandou que houvesse uma devassa acerca do ocorrido, para que se descobrissem e punissem os culpados. Durante o processo, através do depoimento de testemunhas, foi descoberto – para surpresa de todos – que o próprio Almada arquitetou o atentado, a fim de acusar seus inimigos.

Descoberta a farsa, o prelado foi condenado a pagar pelas custas do processo. Ele não foi destituído do cargo por Oficiais do governo, sendo apenas repreendido. No entanto, o constrangimento causado pela situação, já que a população estava ciente do golpe e passou a ter ainda menos simpatia pelo administrador eclesiástico, levaram Almada a renunciar à prelazia do Rio. Ele se retirou para Lisboa e deixou a administração para o Vigário-Geral Dr. Francisco da Silveira Dias.

(Giovanna Wermelinger, graduanda no curso de História da UFF e pesquisadora do projeto “Um Rio de Revoltas” – FAPERJ -CNE/2018-2021)

Números da Revolta

1 dia de duração.

Tipologia

Grupos Sociais

Motivo(s)

Soberania

Grupos sociais

Autoridades

Réus e Condenados

Bibliografia Básica

COARACY, Vivaldo. O Rio de Janeiro no Século 17. Rio de Janeiro: José Olympio, 1965, p. 186.

FAZENDA, José Vieira. Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro. Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Volume IV. Rio de Janeiro, p. 470.

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