Revoltas

Agitação das tropas indígenas

Capitania do Piauí (1718 – 1821)Campo Maior

Início / fim

1823 / 1823

Ilustração de Sandro Andrade, feita para o livro ‘Sepé Tiaraju’, de Luís Rubira, mostra o indígena indo para a batalha. Disponível em: https://observatorio3setor.org.br/NOTICIAS/O-GUERREIRO-QUE-MORREU-COM-1500-INDIOS-DEFENDENDO-O-BRASIL/

Os relatos do capitão Alexandre Neri Pereira Nereu, que lutava pela causa liberal e se encontrava em 1823 em Campo Maior, Piauí, descrevem a insubordinação das tropas indígenas que haviam sido convocadas para a batalha contra os constitucionalistas. Os problemas ocorreram porque, apesar de os indígenas serem muito requisitados devido à efetividade do arco e flecha na hora do enfrentamento, não possuíam uma boa organização militar e tendiam a tratar de forma muito hostil qualquer pessoa que fosse relacionada aos portugueses, sem muito critério para tal.

Segundo o capitão, a tropa de índios proveniente de Vila-Viçosa, local que ficava próximo à fronteira entre Ceará e Piauí, praticou roubos quando aquartelada em Campo Maior. A partir do momento em que esses indígenas se juntaram a um grupo de soldados cearenses, a situação ficou mais complicada. Houve um dia em que esses soldados foram à casa do capitão insultá-lo, e ele reagiu mandando prendê-los. Então foi a vez dos índios se rebelarem e também irem à sua casa, sob os gritos de “morra que é corcunda”, apelido pejorativo dado aos lusitanos. Só depois de entrar em contato com o comandante das tropas indígenas foi que o capitão Nereu conseguiu acalmar os ânimos e acabar com a confusão.

Os índios só abandonaram a guerra alguns dias depois, quando o tenente Simplício José da Silva chegou à vila de Campo Maior e mandou soltar alguns animais que estavam sendo criados por eles, o que foi considerado um insulto. O motivo oficial dado pela tropa para a retirada foi, no entanto, o adoecimento de seus membros.

O complexo processo de emancipação brasileiro passou por diversas batalhas regionais, que envolveram disputas sociais, militares e políticas que não se restringiram à Corte do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas. Tampouco se encerraram com o “grito do Ipiranga” em setembro de 1822.

Disputas importantes ocorreram em províncias mais afastadas, como a formação do popular Exército Libertador, o cerco às tropas portuguesas na Bahia em 1823 e, no mesmo ano, a batalha às margens do rio Jenipapo no Piauí, que juntou as forças locais às cearenses e maranhenses. No entanto, é apenas em 1825 e depois de muitas colisões entre os dois lados que Portugal finalmente reconhece a derrota por meio do Tratado de Paz, Amizade e Aliança.

Antecedentes

Grito do Ipiranga

Tipologia

Modelo de conflito

Reivindicações

Consequência(s)

Soberania

Grupos sociais

Autoridades

Ações de protesto não-violentas

  • Convocação Forçada de militares
  • Desobediência
  • Roubo de comida

Ações de protesto violentas

  • Assuada
  • Saques a casas e armazéns

Repressão

Contenção

  • Envio de autoridade

Punição

  • Não informadas

Bibliografia Básica

COSTA, João Paulo Peixoto. Mata que é corcunda! Os índios do Ceará na guerra de independência do Piauí. Habitus: Revista do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia, Goiânia, v. 14, n. 2, p. 243-262, jul./dez. 2016.

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