[Carta de João da Maia da Gama ao rei D. João V referindo o castigo dos Manaós, a prisão e morte de Ajuricaba]

POR DENTRO DO DOCUMENTO

Título: [Carta de João da Maia da Gama ao rei D. João V referindo o castigo dos Manaós, a prisão e morte de Ajuricaba]
Tipo de documento: Carta
Local: Belém do Pará
Data: 26 de setembro de 1727
De: João da Maia da Gama
Para: D. João V
Assinatura: João da Maia da Gama
Contexto: Entre os séculos XVII e XVIII a coroa portuguesa buscou colonizar o norte da Amazônia e para isso utilizou-se da escravidão indígena, devido aos conhecimentos que estes tinham da região e por ser mais barata que a escravidão negra. Então procurou-se regulamentar o uso da mão-de-obra indígena através de uma legislação que, sofrendo a influência das disputas de interesses entre missionários e colonos, terminou por permitir, em 1688, a escravidão indígena somente em dois casos: resgates e guerras justas. Com efeito, a guerra justa foi uma constante para a obtenção de mão de obra escrava acabando por atingir também os manaós, que exerciam uma importante influência na região que se pretendia colonizar podendo se tornar um incômodo aos interesses portugueses, como de fato se tornou.
Revolta: Guerra dos Manaus
Assunto geral: Relato dos prejuízos causados à Coroa Portuguesa e a consequente guerra e punição a Ajuricaba, líder dos Manaós.
Assunto específico: Utilização da Guerra justa e aprisionamento dos indígenas destinados à escravidão após a morte de Ajuricaba.
Referência original: Biblioteca Nacional Projeto Resgate Acervo do Arquivo Histórico Ultramarino Pará (1616-1833), caixa 10, Códice 935.
Referência impressa: Question de limites le Brésil et la Grand-Bretagne. Annexes du prémier mémoire. Documento nº 30, Volume 1. pp.36-38.

POR DENTRO DA REVOLTA

Bibliografia: CANELLAS, Carlos Fernando. A Guerra contra os Manáos de 1722 a 1728 e a predação portuguesa aos índios do rio Negro. Artigos de Pesquisas Premiados do 13º Encontro de Iniciação Científica da PUC-SP. Disponível em: http://www.geocities.ws/carloscanellas/download/a022.pdf FARAGE, Nádia. As Muralhas dos sertões: os povos indígenas no rio Branco e a colonização. Editora Paz e Terra: São Paulo, 1991. GUZMAN, Décio Marco Antônio de Alencar. Histórias de brancos: memória, história e etno-história dos índios manao do rio Negro (séculos XVIII a XX). Dissertação de Mestrado em História, Orientação: John Manuel Monteiro. UNICAMP, 1997. HEMMING, John. Ouro Vermelho: A conquista dos índios brasileiros. Tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura. Edusp: São Paulo, 2007. SOUZA, Márcio. Ajuricaba, o caudilho das selvas - coleção A luta de cada um. Editora Callis: São Paulo, 2006.

POR DENTRO DO TEXTO

Artifícios da narrativa: A narrativa é orientada no sentido de convencer acerca da justeza da guerra que o governador mandou fazer contra Ajuricaba e os Manaós, bem como aos Mayapenas tidos como seus aliados, para isso são mencionados os frequentes ataques feitos por aquela tribo aos portugueses, sua condição de infiéis, bárbaros, canibais e incestuosos, somada à aliança com as nações inimigas, indo de encontro aos argumentos necessários, segundo a lei vigente, para a execução das guerras justas.
Trechos significantes: “(...) dei conta a V. Magde. das mortes, damnos, e invazões que fazião os Indios Manaus o (sic) Rio Negro, aos vaçallos de V. Magde.”; “o tracto, e amizade que tinhão com os Olandezes”; “(...) zombando os Indios Manaus das nossas Tropas, se levantavão com os resgates de V. Magde. huns sem o quererem pagar, outros insultando e acometendo as nossas bandeiras que hião fazer os resgates impedindolhe a força de armas a paçagem dos rios, matando alguns dos nossos, e ainda o fizerão a outros debaixo de pás.”; “(...) aquelles Barbaros, e principalmente ao infiel Ajuricaba, soberbo, e insollente que se intitullava gor. de todas aquellas Nações”; “(...) e todos os insultos que se nos fazião erão por sua ordem, ou indução como depuzerão muitas testemunhas.”; “(...) ao mesmo tempo se queixavão os frades Missionarios daquelle rio da infidillidade do dito Barbaro”; “(...) asaltou tres vezes com os seus aliados as nossas Aldeyas Missionadas, athe que dezenganado o Rdo. Pe. de ver o seu trabalho baldado requereo ao cabo prendesse o dito Ajuricaba, o qual o temeo fazer”; “(..) mandei votar por todos os Ministros da Junta das Missões, que todos votarão na guerra, exceto o Pe. Reytor do Collegio que variou no paresser dos mais, e votando ultimamente o Bispo, requeria, ou recomendava a prompta execução do castigo.”; “(...) vendo cheias todas as Condições que os tiolligos (sic), Juristas, e Canonistas requerem para a guerra ser justa”; “(...) entendi que não só de justissa, e de obrigação, mas de nececidade estava obrigado a mandar fazer a guerra”; “(...) como tãobem mandar prender o Ajuricaba, e castigallo”; “(...) por se comerem huns aos outros continuamente e não fazerem difirensa de May a filha, e terem muitas mulheres”; “(...) quando me rezolvi a mandalla executar [a guerra], foi por entender era preciza ao servisso de V. Magde. e mais necessaria para o de Deos, e para a propagação da Santa Fé, e sigurança dos dominios de V. Magde.”.
Tópicos de discurso: “danos”, “invasões”, “infiel”, “bárbaros”, “soberbo”, “insolente”, “guerra ser justa”

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