Denúncia contra as violências dos holandeses durante a Restauração do Maranhão, 1642

POR DENTRO DO DOCUMENTO

Título: Resposta ao protesto que o senhor Pedro Bas mandou a este sitio donde estão todos os moradores desta capitania de maranhão em companhia do senhor capitão-mor Antonio Muniz [Barreiros Filho] e do sargento-mor José Grases.
Autoria da transcrição: Matheus Sampaio (bolsista PIBIC/UFF)
Tipo de documento: Resposta
Local: São Luís do Maranhão
Data: 4 de outubro de 1642
De: Manuel Gonsalves da Cunha, tabelião que escreveu o termo
Para: José Graces, sargento mor
Assinatura:

Manuel Gonsalves da Cunha

Contexto:

Em São Luís do Maranhão na primeira metade do século XVII,  a falta de soldados, os fortes debilitados e outros problemas locais facilitam a ocupação holandesa na região norte. Os holandeses ampliam seus territórios em direção ao norte da América portuguesa, tendo como justificativa a demora do rei português em ratificar o tratado de trégua de 1641 entre Portugal e os Países Baixos. Os luso-maranhenses reagem lutando contra os holandeses.

Revolta: Restauração do Maranhão, 1642.
Assunto geral:

Ocupação holandesa ao norte da América portuguesa; expansão holandesa no Maranhão; injustiças; ataque aos engenhos em Itapecuru; saque às povoações de Itapecuru; desentendimentos entre portugueses e holandeses; Restauração no Maranhão.

 

Assunto específico:

Guerra lenta; castigos; queixas dos moradores; roubos; prisão de Bento Maciel Parente; capitulação; tensão religiosa entre católicos e calvinistas; tratado de trégua entre Portugal e Países Baixos; apoio do Grão-Pará.

Referência original: Biblioteca Oliveira Lima, The Catholic University of America, Washington, D. C. ; Códice 11.

POR DENTRO DA REVOLTA

POR DENTRO DO TEXTO

Artifícios da narrativa:

 

Exposição do tabelião Manuel Gonsalves da Cunha narrando a instalação dos holandeses no Maranhão e queixando-se abertamente da forma pouco amistosa como ocorreu, pois foi violada a cordialidade com que outrora foram ali recebidos pelos portugueses. O discurso do autor mostra não só a violação do tratado de trégua entre Portugal e Países Baixos mas que, com a expansão holandesa para a região norte, os moradores da cidade de Itapecuru sofreram inúmeras injustiças por parte dos flamengos, desde saques e ameaças em suas fazendas à violação de suas mulheres. Fica evidente também a insatisfação dos moradores das cidades locais com relação às ações holandesas indiferentes às tradições religiosas da população.

 

Nesse documento – escrito 15 dias depois da sublevação – o autor responde ao conselheiro holandês no Maranhão ocupado sustentando a sublevação que, no final de setembro, fizeram os senhores de engenho locais tomando o forte. 

 

É possível perceber nos artifícios da narrativa uma das primeiras construções discursivas para justificar perante o rei de Portugal a conspiração no Maranhão para expulsar os holandeses, à revelia de Portugal, que esperava os trâmites do tratado de paz com os Países Baixos. Alguns anos mais tarde, os Pernambucanos elaboraram o mesmo tipo de discurso para justificar  a guerra contra os holandeses. 

Trechos significantes:

“(…) sendo tratados pelo s.or Rey dom Joao enquanto cem os s.ors dos Estados gerais[?] e pelo dito s.or Rey avisados recebemos em nossos portos seos navios e [vasallos] e debaixo destas [pases](…)”;

 

“(…) os quebrarão e os naõ quizeraõ cumprir em nada mas antes nos obrigaraõ [ilegível] vassalagem ao s.or príncipe de Orange. tomando lhe suas armas (…)”;

 

“(…) os quais os ditos s.ors lhe aseitaraõ todos[?] sairaõ com hú papel q’ tinhaõ feitto, muito diferente dos [ditos] capítulos e a sua vontade e nos fez naõ[?] asinar a forca tendo todo seu exercito posto [ilegível] e entre as [cauzas] q’ continha”.

 

Tópicos de discurso:

“protesto”;  “framengos”;  “naõ quizeraõ cumprir“;  “injuras framengua“;  “roubos”;  “tomando lhe seus livros e servos”;  “nossa gente portugueza q’ tem prezo e violentada”;  “comessaraõ geralm.te a molestar”;  os obrigaraõ e forcaraõ”;  “naõ sesando de nos ameasar”;  “queixaraõ”;  “lhes faziaõ força a suas mulheres”;  “tratarão de nos degolar”;  “armas”;  “injustiças”.        

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