Os primeiros anos da Angola independente (1975-1979)

Aqui disponibilizamos a cronologia dos principais fatos ocorridos desde 1975, ano da independência de Angola, até o ano de 1979, ano do falecimento de Agostinho Neto, o primeiro presidente do país.

 

1975

Janeiro

15 de janeiro – Portugal, MPLA, FNLA e UNITA assinam os Acordos de Alvor, estabelecendo um governo de transição para a independência de Angola, o poder seria dividido entre as partes assinantes dos acordos. A independência ficou marcada para o dia 11 de novembro do mesmo ano.

31 de Janeiro – Posse do Governo de Transição de Angola Como previsto pelos Acordos de Alvor.

Março

21 de Março – Início dos confrontos entre MPLA e FNLA em Luanda e no norte de Angola.

Junho

13 de Junho – Aprovação da Lei Fundamental pelo Governo de Transição de Angola.

Julho

9 a 20 de julho – Confrontos armados entre FNLA, UNITA e MPLA resultando na expulsão da FNLA e da UNITA de Luanda. 

Agosto

Agosto –Suspensão dos Acordos de Alvor por Portugal. O governo passa a ser exercido por um alto-comissário.

3 de Agosto – Início da “Operação Iafeature”, consistindo numa aliança militar entre FNLA, UNITA, forças zairenses e sul-africanas, coordenada pela CIA, para combater o MPLA e conquistar o poder em Luanda no dia marcado para a independência. O governo caberia a uma coligação entre FNLA e UNITA.

4 de Agosto – Jonas Savimbi anuncia oficialmente a entrada da UNITA na guerra civil.

Setembro

17 de setembro –Chegada das primeiras forças regulares da África do Sul em apoio à UNITA.

Novembro

7 de novembro – Deslocamento  aéreo de novas forças cubanas para Angola, através da Operação Carlota.

11 de novembro –Retirada das autoridades portuguesas de Angola.

- O MPLA proclama em Luanda a independência da República Popular de Angola.

- UNITA e FNLA proclamam a República Democrática de Angola, no Huambo.

Dezembro

- Pressão do Congresso e da mídia dos EUA pela participação informal, favorecendo os movimentos anti-MPLA, no conflito angolano. Preocupação quanto a uma reedição dos acontecimentos do Vietnã em Angola.

- Quênia e Zâmbia pediram a Agostinho Neto uma solução política para os conflitos com os dois outros movimentos. Já Moçambique e Tanzânia reconheciam o governo do MPLA, afirmando que FNLA e UNITA estavam agindo sob o patrocínio da África do Sul e das potências ocidentais.

- África do Sul intensifica suas ações ao sul de Angola.

1976

Janeiro

- África do Sul reclama por ações mais incisivas, para além das diplomáticas, dos países ocidentais, tal como os Estados Unidos, de modo a contrabalançar a influência soviética.

- Denúncias de jornais acusam que mercenários norte-americanos e europeus (ingleses, escoceses, franceses, belgas e suíços) eram treinados e enviados para as frentes de combate angolano, com fundos norte-americanos e outros, não especificados.

- Reunião da OUA para tentar solucionar o conflito angolano. Resultou do encontro uma clara divisão entre o grupo de países que reconhecia o Governo do MPLA, o apoio soviético-cubano e criticava a as ações da FNLA e UNITA. Esses ficaram conhecidos como radicais, O grupo dos chamados moderados entendia que era necessário estabelecer um governo de coalizão entre os três movimentos. Não reconheciam o MPLA, nem a intervenção de nenhuma nação estrangeira.

Fevereiro

- Sucessivas vitórias no campo de batalha consolidaram o domínio do país pelo MPLA. Conquistas em Santo Antonio do Zaire, São Salvador, Lobito, Benguela, Silva Porto, Moçâmedes, Sá Bandeira, Serpa Pinto e Luso. Nessas circunstâncias, FNLA e UNITA iniciaram uma guerra de guerrilha contra o MPLA.

- Inicio das negociações pela paz entre o MPLA e a África do Sul. O acordo previa que as tropas sul-africanas se retirariam do território angolano com a garantia do MPLA de que seus interesses, especificamente sobre a hidroelétrica do Cunene, seriam respeitados.

- O Presidente Kenneth Kaunda, presidente  da Zâmbia, declara que seu governo estava disposto a reconhecer o MPLA, como legítimo representante do povo de Angola, pois tinha interesse em normalizar as exportações de cobre, que escoavam através do porto angolano de Benguela.

- Assinatura de acordo entre o Presidente Agostinho Neto e o Presidente do Zaire, Mobutu Sese Seko. Este declarou que para melhorar ou restabelecer as relações com o MPLA, era preciso que fossem respeitadas três condições: garantia, pelo MPLA, da segurança ao longo dos 2.600 quilômetros de fronteiras entre os dois países; garantia  que os seis mil soldados katangueses que lutaram contra o governo do Zaire e depois combateram ao lado do MPLA não se envolvessem em nenhuma operação contra seu governo; por fim que fossem concedidas garantias plenas de que os refugiados angolanos, principalmente os nativos da FNLA, poderiam retornar a seus lares sem que temessem represálias.

9 de Fevereiro – Os Estados Unidos transferem o seu apoio da FNLA à UNITA.

11 de Fevereiro – Angola é admitida na OUA. Nesse período, além da importante vitória diplomática, ao ser admitido como 47º membro da OUA, diversos países reconheceram o governo do MPLA, totalizando cerca de oitenta países, dos quais quarenta eram africanos.

23 de Fevereiro – reconhecimento da República Popular de Angola pelo Estado português.

Março

- Tentativa de negociação entre representantes dos governos da Zâmbia e de Angola, no sentido do reconhecimento do governo do MPLA, que falharam. A Zâmbia buscava permissão para o uso da Ferrovia de Benguela, fundamental para a exportação do cobre, enquanto o MPLA pretendia o fim da base estabelecida pela UNITA em território zambiano.

- Anúncio da nacionalização de todas as propriedades rurais do país e a subseqüente criação de cooperativas agrícolas.

- Retirada das tropas sul-africanas do complexo hidroelétrico de Calueque, localizado no Sul de Angola, após garantia do governo do MPLA sobre sua segurança.

27 de Março – retirada das forças sul-africanas de Angola.

Abril

– retomada das operações petrolíferas pela Gulf Oil Company.

Maio

- Eleição dos Comitês Populares de Bairros (CPB’s), em Luanda, entendidas como unidades básicas do novo Estado angolano.

Julho

- Visita oficial de Agostinho Neto a Cuba (22-30)

Outubro

- assinatura do Tratado de Amizade entre Angola e URSS.

- 23 a 29 de outubro: 3ª Reunião Plenária do Comitê Central do MPLA, na qual foi decidida a edificação de um Estado de Democracia Popular e a construção de bases materiais e técnicas para o Socialismo.

Dezembro

11 de dezembro – admissão da República Popular de Angola como membro da ONU.

- Cumprindo dispositivo da carta da OUA, segundo a qual os Estados-membros não deviam abrigar grupos políticos que lutassem contra governos legais de outros Estados-membros, o governo da Zâmbia expulsa a UNITA e proíbe quaisquer atividades desse movimento guerrilheiro no país.

- Reorganização ministerial do Governo de Agostinho Neto. Destituição de Nito Alves do cargo de Ministro do Interior

- Assinatura de acordo de cooperação entre Fidel Castro e o primeiro-ministro angolano Lopo do Nascimento, envolvendo as áreas da educação, transporte, saúde publica, construção e agricultura.

1977

Fevereiro

- Ataque surpresa da FNLA a Pangala, uma vila do norte de Angola, em 28 de fevereiro de 1977, em que morreram 43 pessoas e 25 ficaram feridas.

Março

– retomada das relações diplomáticas entre Angola e Portugal.

Maio

27 de maio – Fracassada tentativa de golpe de Estado liderada por Nito Alves e José Van Dunem. Quanto às razões do golpe definidas pelas agências internacionais de notícias, as versões eram divergentes. A AP afirmou que os dissidentes estavam descontentes com a política de reaproximação com o Ocidente implementada por Neto. Seriam eles portanto, de estrema esquerda.A UPI destacou que os dois líderes da rebelião tinham sido afastados depois de criticarem em público o aumento da influência soviética sobre o Governo. Deste ponto de vista, essa ala estaria vinculada a elementos ultranacionalistas, os chamados “africanos puros”, portanto um grupo de base racial. Uma terceira versão,  a mais aceita internacionalmente e a que mais se aproximava da versão oficial divulgada pelo MPLA sobre Nito Alves e José Van Dunem, dizia que os rebeldes defendiam um maior vínculo com Moscou, sendo contrários à política de independência preconizada por Agostinho Neto. Nesta perspectiva, um suposto envolvimento da URSS na tentativa de golpe em Angola significaria que existiam divergências com Cuba, cujas tropas auxiliaram Neto a neutralizar a rebelião.

- Enfrentamentos entre as tropas cubanas e angolanas e o movimento separatista de Cabinda – FLEC.

Junho

- Prisões e assassinatos de um número até hoje não calculado de implicados ou supostamente implicados na fracassada tentativa de golpe, entre os quais vários membros de diversos escalões do MPLA e das Forças Armadas, contudo os líderes, Nito Alves e Joseph Van Dunem ainda estavam foragidos. Além das medidas de controle, a cargo das tropas cubanas nas ruas de Luanda, e do toque de recolher que continuou a vigorar na capital, o governo Neto implantou  uma rigorosa censura à imprensa (que atingia principalmente os correspondentes estrangeiros, já que a imprensa do país era toda oficial).

- Violentos combates em Cabinda entre forças cubanas e angolanas e a FLEC, implicaram no envio de grandes reforços cubanos. Embora o número de baixas fosse grande de ambos os lados, os militantes haviam conseguido repelir cubanos e angolanos na Frente Noroeste, tendo feito com que fugissem até Dinge, no centro do enclave. Por outro lado, na Frente Oeste, as tropas da FLEC tiveram que bater em retirada da cidade de Landana.

Agosto

– nacionalização da Diamang e das operações de mineração de diamantes.

Dezembro

– O MPLA assume o marxismo-leninismo como ideologia oficial, mudando o seu nome para MPLA-Partido do Trabalho, no Primeiro Congresso

- Dissolução de sete Comitês Populares de Bairro em Luanda, considerados suporte do aparelho nitista.

1978

Agosto-Outubro

– melhoria das relações diplomáticas entre Angola e Zaire, com troca de visitas dos chefes de Estado Agostinho Neto e Mobutu.

Novembro

– reabertura oficial do caminho-de-ferro de Benguela.

1979

Maio

– aumento da guerrilha da UNITA no sul e no leste de Angola, com apoio da África do Sul.

Junho

- Encontro ocorrido em Luanda nos dias 9 e 10 de junho, entre representantes dos governos de Angola, Guiné Bissau, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe. Discutiu-se a  intensificação da cooperação entre esses países, que deveria estar baseada na mesma perspectiva política e ideológica.